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Ginjaro Ver os lotes
Caderno da quinta · 6 de agosto de 2026

O lote de 2025, número a número

Granizo a 19 de maio, oitenta dias de apanha e um lote com uma casta a menos do que o previsto. O relatório do ano.

Talhão
Talhão do Poço
Casta
Morangão
Data
6 de agosto de 2026
Leitura
2 min
Nesta nota
O granizo, A apanha aos bocados, O que entrou no lagar, O que ficou na garrafa

A 19 de maio de 2025, entre as cinco e vinte e as cinco e trinta e cinco da tarde, caiu granizo sobre a encosta. Quinze minutos. A Burlat estava a três dias de ser apanhada e foi a que apanhou o pior: perdemos pouco mais de um terço do talhão, não por causa do gelo em si mas dos golpes na casca, que abrem caminho à podridão nas quarenta e oito horas seguintes.

O resto do ano foi consequência disso. Com a Burlat cortada a meio, adiantámos a entrada do Morangão e passámos a apanhar aos bocados, talhão a talhão, à medida que cada canto ficava pronto. É a razão pela qual as janelas de 2025 são as mais largas dos sete anos: o Morangão esteve vinte e um dias em apanha e a Hedelfingen vinte e sete, quando o normal são catorze e dezanove.

Entre a primeira cereja, a 16 de maio, e a última, a 3 de agosto, passaram oitenta dias. É o mesmo número de 2021, o ano das chuvas, mas por razões opostas: em 2021 tudo se arrastou porque nada amadurecia, e em 2025 tudo se arrastou porque cada bocado amadureceu à sua conta.

No lagar entraram vinte mil e setecentos quilos, que deram seis mil seiscentos e noventa litros e oito mil novecentas e vinte garrafas de setenta e cinco centilitros. O brix médio ficou em 17,1, acima da média dos sete anos, porque a fruta que sobreviveu ao granizo teve mais espaço e mais água por unidade.

A decisão difícil foi sobre a Burlat. Havia fruta suficiente para engarrafar cerca de quatrocentas garrafas de uma casta que normalmente dá mil e quatrocentas. Podíamos ter juntado a Burlat ao Morangão e chamado ao resultado um lote de duas castas. Não juntámos. Engarrafámos as quatrocentas, esgotaram-se em onze dias e ficaram sessenta pessoas em lista de espera. É provavelmente o melhor argumento que temos para explicar porque é que não misturamos.