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Ginjaro Ver os lotes
A Quinta

Sete hectares de granito, cinco talhões e um lagar pequeno

Somos uma quinta familiar na encosta nascente da Serra da Gardunha. Fazemos uma coisa só, e fazemo-la com a fruta que apanhamos aqui.

Prensa de fruta em inox e um garrafão de vime numa oficina de chão de pedra molhado A prensa hidráulica de duzentos litros, no lagar da quinta.
O lagar

Prensar devagar, filtrar grosso, pasteurizar depressa

A cereja chega ao lagar no próprio dia em que é apanhada, sempre antes das onze da manhã. Passa por uma despedradora que retira o caroço sem partir a polpa e entra na prensa em cargas de cento e vinte quilos. A prensagem demora perto de quarenta minutos, o que é lento de propósito: prensar depressa arrasta amargor da casca.

Depois filtramos grosso. Não é sumo transparente e nunca vai ser: uma parte da polpa fica em suspensão e assenta na garrafa, e é preciso agitar antes de servir. A pasteurização é curta, a oitenta e cinco graus, e o enchimento faz-se a quente para não ser preciso conservante nenhum.

Tudo o que sai de uma carga vai para o mesmo lote e o lote leva o número do talhão e a data. Se um dia houver uma reclamação sobre uma garrafa, sabemos de que árvores veio.

Os cinco talhões

Cada canto da encosta dá uma coisa diferente

Os nomes são os antigos, os da caderneta predial, e não inventámos nenhum. A casta dominante de cada talhão foi escolhida pela exposição ao sol e pela profundidade da terra.

Os cinco talhões, a sua altitude e a casta que domina em cada um.
Talhão Altitude Casta dominante Porquê ali
Talhão do Souto 590 m De Saco O mais alto e o mais frio de noite. Atrasa a maturação, que é o que a De Saco quer.
Talhão da Fraga 540 m B. Burlat Encostado à rocha, que devolve calor à noite. É o primeiro a estar pronto.
Talhão de Cima 505 m Hedelfingen Terra funda e bem drenada. Aguenta as chuvadas de junho sem encharcar.
Talhão do Poço 460 m Morangão O único com água própria. O Morangão precisa dela para dar calibre.
Talhão do Carvalho 420 m Napoleão Pé Comprido Meia sombra ao fim da tarde. Protege a polpa clara, que queima com sol direto.

O que decidimos não fazer

Uma quinta pequena define-se tanto pelo que recusa como pelo que produz, e vale a pena escrever as recusas para não termos de as explicar duas vezes por semana ao balcão.

Não misturamos anos. Seria a maneira óbvia de ter sempre o mesmo sabor e de aproveitar os anos fracos. É precisamente por isso que não o fazemos: se o sabor fosse sempre o mesmo, o ano na garrafa não significava nada.

Não compramos fruta a outros produtores. Há anos em que isso significa ficar sem uma casta, como aconteceu com a Burlat em 2025. Preferimos ficar sem.

Não adoçamos nem corrigimos a acidez. Um ano de brix quinze sabe a ano de brix quinze. A ficha do lote diz o número e quem prefere o outro extremo espera pelo ano seguinte.

Não vendemos cereja fresca por correio. Chega amassada, e a única forma honesta de a vender é na loja, nos dias em que se apanha.