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Castas

Cinco castas do caderno da Cova da Beira

Nenhuma foi escolhida por ser rara. Foram escolhidas por caberem umas a seguir às outras e por darem, entre as cinco, quase três meses de apanha.

Duas indicações geográficas, e nenhuma delas é do sumo

A cereja que entra no nosso lagar é colhida dentro da área da «Cereja da Cova da Beira» IGP, indicação geográfica protegida registada na União Europeia em 1996 e gerida pela cooperativa de fruticultores da região. A área abrange os concelhos do Fundão, da Covilhã e de Belmonte, entre a Serra da Gardunha, a Serra da Estrela e a Serra da Malcata.

Desde março de 2020 existe no mesmo território uma segunda indicação, a «Cereja do Fundão» IGP. As duas coexistem, e a nossa encosta fica dentro das duas ao mesmo tempo. Não é uma contradição: são cadernos de especificações diferentes sobre o mesmo fruto.

As castas que o caderno da Cova da Beira reconhece são a De Saco, a Napoleão Pé Comprido, o Morangão, a Espanhola, a B. Burlat, a B. Windsor e a Hedelfingen. Cinco delas estão plantadas aqui, e são essas cinco que dão os lotes.

Falta a parte que muita gente confunde, e que preferimos escrever do que deixar subentendida. Uma indicação geográfica protege um produto concreto, e nestes dois casos o produto protegido é o fruto, na classe das frutas frescas ou transformadas. Não é a bebida. Nenhuma garrafa nossa se chama IGP e nenhum rótulo nosso exibe a sigla. O que é verdade, e é isso que escrevemos, é que a fruta prensada aqui é fruta certificada da região.

Uma a uma

Por ordem de entrada no lagar

Para cada casta fica a janela de 2023, que foi o último ano regular, e a nota de prova que lhe atribuímos no caderno do lagar.

  1. A primeira do ano

    B. Burlat

    Entra a meio de maio, quando a encosta ainda está fria de noite. Tem pouco açúcar acumulado e uma acidez curta que se sente à frente da boca. É a casta que abre o ano e a que menos tempo dura no ramo.

    Janela em 2023
    13 de maio a 26 de maio, 14 dias
    Cor no ponto
    Vermelho fechado, quase sem brilho
    Nota de prova
    Acidez viva, quase a morder
    No copo
    Sumo curto e ácido, para beber muito frio.
  2. A segunda, ainda em maio

    Morangão

    Fruto grande, de polpa macia e doçura sem ponta. É a casta que enche o copo e a que usamos para segurar as mais ácidas quando um ano sai desequilibrado. Perde depressa a firmeza depois de apanhada.

    Janela em 2023
    27 de maio a 9 de junho, 14 dias
    Cor no ponto
    Vermelho vivo, casca lisa
    Nota de prova
    Doçura larga, sem ponta ácida
    No copo
    Sumo largo e redondo, o mais fácil dos cinco.
  3. A terceira, meados de junho

    Napoleão Pé Comprido

    A única de polpa clara. O pé comprido, que lhe deu o nome, faz com que se apanhe devagar e sem magoar o fruto. É a casta mais aromática da encosta e a que mais muda de ano para ano.

    Janela em 2023
    6 de junho a 22 de junho, 17 dias
    Cor no ponto
    Duas cores: amarelo corado de vermelho
    Nota de prova
    Flor branca e casca de limão
    No copo
    Sumo claro, de flor branca e casca de limão.
  4. A quarta, fim de junho

    Hedelfingen

    A mais firme das cinco. Casca grossa, polpa escura e um travo de ameixa no fim. Aguenta viagem e aguenta chuva, e por isso é a que salva os anos em que junho se estraga.

    Janela em 2023
    19 de junho a 7 de julho, 19 dias
    Cor no ponto
    Vinho escuro por dentro e por fora
    Nota de prova
    Ameixa escura e casca grossa
    No copo
    Sumo estruturado, com casca a marcar o fim.
  5. A última, julho fora

    De Saco

    A casta da casa e a última a sair. Fica no ramo até acumular açúcar a mais e sai com um fim de caramelo e madeira que nenhuma das outras tem. É também a mais frágil: dois dias de erro e perde-se o talhão.

    Janela em 2023
    3 de julho a 23 de julho, 21 dias
    Cor no ponto
    Quase preta quando está no ponto
    Nota de prova
    Caramelo e madeira no fim
    No copo
    Sumo fundo, doce e demorado a passar.
Pomar de cerejeiras sem folha numa manhã de geada, sobre socalcos de granito O mesmo pomar em janeiro, quando se decide a colheita seguinte.
O que não muda

A casta é a mesma todos os anos, o resto não

Uma casta é um material genético fixo. O que a Napoleão pode dar está decidido desde que foi enxertada, e nenhuma prática de pomar a transforma numa De Saco. O que varia é quanto desse potencial o ano deixa chegar ao fruto.

Por isso a ficha de cada casta é escrita em termos de tendência e não de promessa. A Hedelfingen tende a ter casca grossa; num ano encharcado tem-na mais fina. O Morangão tende a ser o mais doce dos primeiros; num ano em que ele venha atrasado e a Napoleão adiantada, pode não ser.

A poda de janeiro é a única coisa que fazemos com efeito real sobre isto. Uma árvore podada para menos ramos de fruto dá menos quilos e mais concentração, e essa decisão é tomada seis meses antes de haver uma única flor.

Onde comprar cada casta
Sobrepor os anos de colheita